Menopausa
Menopausa não é brincadeira
Dez anos tratando só o calorão — e, no décimo, o protocolo mandou tirar tudo. O que essa história ensina sobre tratar a mulher, e não o calendário.

Menopausa
Dez anos tratando só o calorão — e, no décimo, o protocolo mandou tirar tudo. O que essa história ensina sobre tratar a mulher, e não o calendário.


Paciente que é assim: ela usou dez anos de tibolona. A ginecologista dela só passava para o calorão. Ela não estava bem não, tá? Mas para ela o tratamento da menopausa era esse. Quando chegou nos dez anos, a ginecologista: “Não pode mais usar”, e tirou.
A tibolona acabou… A menopausa dela acabou, o calorão? Não. Mas o protocolo fala: “Com dez anos eu tiro a medicação.” Ela seguiu à risca e tirou da paciente.
A paciente ficou bem ou não? Pior do que estava em mil vezes.Dr. Pablo Melo
O calorão era a única coisa que tinha passado. Pelo amor de Deus, pelo menos isso tem que passar. Durante dez anos ninguém perguntou do sono, do osso, da libido, da memória, da secura. E no décimo ano tiraram a única coisa que funcionava.

A tibolona é um esteroide sintético com ação estrogênica, progestagênica e androgênica. Alivia fogacho e ajuda o osso, e tem o seu lugar. O que eu critico é tratar menopausa como sinônimo de calorão — e tratar tempo de uso como se fosse prazo de validade.
A menopausa é o fim da produção ovariana. Ela não tem data para acabar: o que muda com os anos é o corpo sem hormônio — osso, vaso, cérebro, músculo, pele, bexiga. Fogacho é só o sintoma mais barulhento.
O posicionamento de 2022 da Sociedade Norte-Americana de Menopausa é direto: não existe regra fixa de tempo para interromper a terapia hormonal. A decisão de continuar é individual, revista periodicamente, pesando benefício e risco daquela mulher — idade, saúde das mamas, do coração, do osso, via e dose. Interromper só porque “deu o prazo” não é o que a evidência atual recomenda.

É olhar a mulher inteira. Como ela dorme. Como está o humor. A densitometria. A mama. O perfil metabólico. A vida sexual. A massa muscular. E ajustar o tratamento ao que ela precisa naquela fase — o que às vezes significa trocar de molécula, de via, associar ou reduzir. Parar também pode ser a decisão certa; o que não pode é ser automática.
Pergunte: “Por que agora? O que mudou no meu risco?” Peça um plano — o que vai acontecer com os meus sintomas e o que faremos se voltarem. E, se a única resposta for o número de anos, procure uma segunda opinião. Você não é um prazo.
Se você quer ir mais fundo, este é um dos temas do meu livro Vencendo a Menopausa, disponível na página de livros.
Conteúdo educativo, baseado em literatura científica e na experiência clínica do Dr. Pablo Melo. Não substitui consulta, não é prescrição e não promete resultado. Indicação, composição, dose e sequência de qualquer tratamento são definidas na consulta, para cada pessoa. Alguns tratamentos citados são de uso fora de bula.
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A equipe do Dr. Pablo faz a pré-avaliação pelo WhatsApp, envia a lista de exames e agenda sua consulta — presencial em uma das unidades ou por telemedicina.
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