Dr. Pablo Melo Tratamentos

Menopausa

Estradiol atua diretamente na sua felicidade

“Eu não era assim.” A tristeza que aparece depois dos 40 tem um caminho químico conhecido — e ele passa pelo estradiol antes de passar pelo antidepressivo.

Dr. Pablo Melo
Dr. Pablo MeloCRM 29709-SC · 19 set 2026 · 3 min de leitura
Dr. Pablo Melo — o estradiol atua diretamente na sua felicidade
Dr. Pablo Melo — o estradiol atua diretamente na sua felicidade

O estradiol atua diretamente na sua felicidade. Vamos à ciência: ele aumenta a expressão da triptofano hidroxilase e do transportador de serotonina. Resumindo: o estradiol não só produz mais serotonina, te deixando mais feliz, como também freia a enzima que a destrói. O efeito é duplo.

“Eu não era assim”

É a frase que eu mais ouço da mulher entre os 40 e os 55. Ela não perdeu o emprego, não perdeu ninguém, a vida está de pé — e mesmo assim acorda mais para baixo, mais cabisbaixa, sem graça nas coisas. Vai ao médico, os exames “estão normais” e ela sai com um remedinho. No fundo ela sabe que não está normal.

O que mais vemos no climatério e na menopausa são sintomas depressivos que acompanham a queda — e principalmente a oscilação — do estradiol. Não é fraqueza, não é ingratidão com a vida. É química.

Humor, sono e vontade costumam mudar juntos quando o estradiol oscila.
Humor, sono e vontade costumam mudar juntos quando o estradiol oscila.

O caminho, em linguagem de consultório

A serotonina é feita a partir de um aminoácido, o triptofano. A enzima que dá o primeiro passo dessa fábrica se chama triptofano hidroxilase. O estradiol aumenta a expressão dessa enzima e do transportador de serotonina; ao mesmo tempo, reduz a atividade da enzima que degrada a serotonina. Ou seja: mais produção e menos destruição. Tem receptor de estrogênio nas áreas do cérebro que cuidam de humor, sono e memória — por isso, quando o estradiol cai, o humor raramente cai sozinho: vêm junto a insônia, a irritabilidade, a névoa mental.

A pessoa muda e a autoestima se transforma de verdade.Dr. Pablo Melo

As diretrizes internacionais de 2019 sobre depressão na perimenopausa reconhecem essa fase como uma janela de vulnerabilidade: a mulher que nunca teve depressão pode ter o primeiro episódio ali, e quem já teve tem mais chance de recair. Os ensaios com estradiol transdérmico nessa fase mostram melhora do humor em boa parte das mulheres. Na pós-menopausa tardia a resposta é menos consistente — mais um motivo para não deixar a janela passar.

Daí o seu médico fala que não pode fazer reposição hormonal…

E o mais triste de tudo: não investiga seus hormônios e te passa um remedinho. Sabe qual a diferença de um hormônio para um remédio de tarja preta? Patente. É o jogo que dá dinheiro para alguém que não sou eu.

Deixa eu ser justo aqui, porque isso importa: antidepressivo salva vida e tem lugar. Se você usa, não pare por conta própria. O meu ponto é outro — a mulher de 47 anos com tristeza nova, insônia nova e ciclo bagunçado merece que alguém olhe os hormônios dela também. Maquiar o sintoma sem procurar a causa é o que eu critico.

Quando a causa é tratada, volta mais do que o humor: volta a vontade de viver a rotina.
Quando a causa é tratada, volta mais do que o humor: volta a vontade de viver a rotina.

Como eu investigo

Primeiro a história: desde quando, o que mudou no ciclo, no sono, na libido, na memória. Depois os exames — estradiol, FSH, progesterona, testosterona, SHBG, tireoide, vitamina D, B12, ferritina, insulina. E uma coisa que pouca gente conta: no climatério o FSH pode vir normal e a mulher estar péssima, porque o hormônio ainda oscila. Valor normal não exclui nada.

Quando a causa é hormonal, tratar a causa costuma devolver mais do que o humor: volta o sono, a disposição, a vontade. É o que eu chamo de quadro florido — a hormonal nunca vem com um sintoma só.

Se você quer ir mais fundo, este é um dos temas do meu livro Vencendo a Menopausa, disponível na página de livros.

Sem receitaHormônio, via, dose e sequência são definidos na consulta, para cada pessoa, depois de história clínica e exames. Este texto não substitui avaliação médica e ninguém deve iniciar, trocar ou suspender tratamento por conta própria.

Conteúdo educativo, baseado em literatura científica e na experiência clínica do Dr. Pablo Melo. Não substitui consulta, não é prescrição e não promete resultado. Indicação, composição, dose e sequência de qualquer tratamento são definidas na consulta, para cada pessoa. Alguns tratamentos citados são de uso fora de bula.

Um convite

Seu corpo está pedindo equilíbrio. Vamos encontrá-lo juntos.

A equipe do Dr. Pablo faz a pré-avaliação pelo WhatsApp, envia a lista de exames e agenda sua consulta — presencial em uma das unidades ou por telemedicina.

Falar com a equipe
Dr. Pablo Melo

Continue lendo

Menopausa

Zumbido no ouvido: a causa pode ser falta de estradiol

O otorrino examina, não acha nada e diz que “não tem causa diagnóstica”. Depois dos 40, o apito, a tontura e a perda de audição podem ter um nome que ninguém conectou.

19 set 2026·3 min de leitura

Menopausa

Por que meu médico não quis colocar estradiol em mim?

A barriga que cresce depois dos 40, a paciente que “faz de tudo” e não define o corpo, e o hormônio que decide para onde a gordura vai.

19 set 2026·3 min de leitura

Menopausa

Estradiol baixo causa medo

A menopausa não rouba só o hormônio: rouba a coragem de decidir. Um texto para quem mora com uma mulher nessa fase — e para ela também.

19 set 2026·3 min de leitura