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Menopausa

Zumbido no ouvido: a causa pode ser falta de estradiol

O otorrino examina, não acha nada e diz que “não tem causa diagnóstica”. Depois dos 40, o apito, a tontura e a perda de audição podem ter um nome que ninguém conectou.

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Dr. Pablo MeloCRM 29709-SC · 19 set 2026 · 3 min de leitura
Dr. Pablo Melo — zumbido no ouvido pode ser falta de estradiol
Dr. Pablo Melo — zumbido no ouvido pode ser falta de estradiol

Se o estradiol faz lá na artéria uterina uma resistência nos vasos, no ouvido também faz. Então, se chega pouco sangue no ouvido, eu posso ter: zumbido, tontura e surdez. Você não precisa nem decorar. Se você entendeu o jogo todo, é simples: está chegando pouco sangue no ouvido, é isso.

A cena que se repete

Você começa a sentir um apito constante. Uma tontura do nada. Vai ao otorrinolaringologista, faz audiometria, ele olha o ouvido por dentro e diz: “Não tem causa diagnóstica. Está tudo normal.” Mas o apito continua lá.

“Ah, é ouvido, vou ao otorrino; é vagina, vou ao ginecologista.” Mas ninguém conectou nada! Eu estou falando rindo, mas é a pura verdade.Dr. Pablo Melo

Não é culpa do colega — é o modo como a medicina foi fatiada. Cada um olha o seu pedaço, e o hormônio, que fala com o corpo inteiro, fica sem dono.

Zumbido “sem causa” depois dos 40 merece uma pergunta a mais: como estão os seus hormônios?
Zumbido “sem causa” depois dos 40 merece uma pergunta a mais: como estão os seus hormônios?

O que o estradiol tem a ver com o ouvido

O estradiol é um vasodilatador: ele mantém os vasos elásticos e o sangue chegando. O ouvido interno é irrigado por uma artéria terminal, fininha, sem plano B — qualquer queda de fluxo ali aparece como sintoma. Além disso, há receptores de estrogênio ao longo de toda a via auditiva, da cóclea ao cérebro.

A literatura acompanha: estradiol sérico mais baixo já foi associado a pior audição em mulheres na pós-menopausa, e estudos populacionais grandes observaram menos zumbido entre mulheres em terapia hormonal. São associações — não é prova de que todo zumbido é hormonal — mas elas apontam para o mesmo lado que a clínica.

Aí, quando você coloca o estradiol de volta…

A circulação melhora. Aí o milagre acontece, né? Em parte das pacientes o zumbido diminui ou some junto com os outros sintomas do climatério: o calor, a insônia, a secura, os vasinhos na perna. E esse é o sinal que eu procuro: o zumbido hormonal quase nunca vem sozinho.

O ouvido interno depende de um fluxo de sangue delicado — e o estradiol participa disso.
O ouvido interno depende de um fluxo de sangue delicado — e o estradiol participa disso.

O que mais pode ser — e não pode ser ignorado

Zumbido também vem de exposição a ruído, cera, alguns medicamentos, pressão alta, bruxismo e problema de ATM, anemia, tireoide, deficiência de B12 e de magnésio. E há sinais de alarme que pedem otorrino ou pronto-atendimento sem demora: perda súbita de audição, zumbido de um lado só, zumbido que pulsa junto com o coração, tontura forte com vômito ou sintoma neurológico. O otorrino continua sendo indispensável; o que eu proponho é somar, não trocar.

Como eu conecto os pontos

História completa, o que mais mudou nos últimos anos, e exames: estradiol, FSH, progesterona, testosterona, SHBG, tireoide, vitamina D, B12, magnésio, ferritina, perfil de insulina e inflamação. Se o quadro é de climatério ou menopausa, trata-se a mulher inteira — e o ouvido costuma agradecer junto.

Se você quer ir mais fundo, este é um dos temas do meu livro Zumbido no Ouvido, disponível na página de livros.

Sem receitaHormônio, via, dose e sequência são definidos na consulta, para cada pessoa, depois de história clínica e exames. Este texto não substitui avaliação médica e ninguém deve iniciar, trocar ou suspender tratamento por conta própria.

Conteúdo educativo, baseado em literatura científica e na experiência clínica do Dr. Pablo Melo. Não substitui consulta, não é prescrição e não promete resultado. Indicação, composição, dose e sequência de qualquer tratamento são definidas na consulta, para cada pessoa. Alguns tratamentos citados são de uso fora de bula.

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