Dr. Pablo Melo

Guia da paciente · Climatério e perimenopausa

Você ainda menstrua. E não se reconhece mais.

Insônia que apareceu do nada, irritação, ansiedade, memória falhando, libido sumindo, semanas boas e semanas péssimas — e um exame que diz que “está tudo normal”. Este guia explica o climatério, a fase que começa anos antes da menopausa, e por que ela é tão mal diagnosticada.

Dr. Pablo Melo
Dr. Pablo MeloCRM 29709-SC · Medicina hormonal & metabólica · +4.000 implantes · 4 unidades e telemedicina

Leitura completa: ~15 min · Conteúdo educativo, não substitui consulta

Como ler este guia Evidência publicada Prática do Dr. Pablo Em debateNada aqui é receita: indicação, composição, dose e sequência são definidas na consulta, para cada pessoa.

Que fase é essa

A menopausa não começa no dia em que a menstruação para.

Qual a diferença entre climatério, perimenopausa e menopausa?

Evidência publicadaPrática do Dr. Pablo
  • Climatério é todo o período de transição entre a fase reprodutiva e a pós-menopausa.
  • Perimenopausa é o trecho mais turbulento: os anos antes da última menstruação, quando os hormônios oscilam. Pelos critérios internacionais (STRAW+10), dura em geral de 4 a 8 anos, podendo passar de 101.
  • Menopausa é o marco de 12 meses sem menstruar. Depois dele vem a pós-menopausa — veja o guia da menopausa.

Com que idade isso começa?

Prática do Dr. PabloEm debate

A média de início fica nos 40 e poucos anos, mas o Dr. Pablo vê cada vez mais mulheres com os primeiros sinais a partir dos 35. A progesterona costuma ser o primeiro hormônio a cair — e o primeiro sintoma, muitas vezes, é o sono.

Esqueça a menstruação. Perimenopausa é menstruando.
Dr. Pablo Melo

Sintomas

“Não sou mais eu.”

É a frase que mais se ouve no consultório. Os sintomas vêm em conjunto, oscilam e vão aflorando com o tempo.

Dr. Pablo Melo
“Guiar pela clínica, não pelo laboratório.”Dr. Pablo Melo

Quais são os sinais do climatério?

Prática do Dr. Pablo
  • Insônia nova, principalmente acordar de madrugada.
  • Irritabilidade e ansiedade que não existiam, pavio curto.
  • Tristeza, choro fácil, sensação de estar “estranha”.
  • TPM mais forte e ciclos que encurtam, alongam ou falham.
  • Memória e foco piores — esquecer o que foi fazer, dificuldade de ler, sensação de névoa.
  • Libido caindo e perda de vontade de coisas de que gostava.
  • Enxaqueca nova ou pior.
  • Barriga crescendo sem mudança de hábitos.
  • Vasinhos nas pernas, dores articulares, infecção urinária de repetição.

Qual é a pergunta que mais ajuda no diagnóstico?

Prática do Dr. Pablo

“Você se sente bem todos os dias, ou tem semanas que são piores do que as outras?” No climatério, a flutuação é o diagnóstico. Se a resposta for “tenho semanas horríveis e semanas normais”, isso diz mais do que qualquer exame isolado.

Ansiedade sempre é hormonal?

Prática do Dr. Pablo

Não. Uma pergunta ajuda a separar: desde quando? Ansiedade desde os 20 anos aponta para outras causas (intestino, nutrientes, história de vida). Ansiedade que surgiu entre os 35 e os 45, junto com sono ruim e alteração de ciclo, aponta para hormônio.

Por que o exame engana

FSH normal não exclui nada.

Meu médico disse que não é menopausa porque o FSH está normal. Está certo?

Evidência publicadaPrática do Dr. Pablo

Está certo que não é menopausa — é climatério. O erro é concluir que, por isso, não há o que tratar. Na perimenopausa, FSH e estradiol oscilam muito de um dia para o outro. O exame é uma foto: pode ser tirada num dia alto, num dia baixo, ou com o hormônio preso ao SHBG.

E o que produz sintomas nessa fase é justamente a variabilidade do estradiol, não só o nível baixo. Estudos do NIMH mostraram que tanto quedas quanto elevações bruscas de estradiol desencadeiam sintomas de humor em mulheres sensíveis45.

O valor normal não exclui nada. É o conceito que muda a consulta.
Dr. Pablo Melo

Então para que servem os exames?

Prática do Dr. Pablo

Para completar o quadro e garantir segurança. O painel costuma incluir FSH, LH, estradiol, progesterona, prolactina, SHBG, testosterona, tireoide (TSH, T4 e anticorpos), vitamina D, B12, ferro e ferritina, homocisteína, perfil metabólico — e exames de imagem antes de qualquer implante. Mas, no climatério, quem decide o tratamento é a clínica, com o exame como apoio.

Humor, sono e cabeça

A paciente não ficou depressiva por acaso.

Dr. Pablo Melo
“O jogo não é sobre corpo. É sobre cabeça.”Dr. Pablo Melo

A perimenopausa aumenta o risco de depressão?

Evidência publicada

Sim — é uma janela de vulnerabilidade documentada. Segundo a diretriz norte-americana de 2019 sobre perimenopausa e depressão, 45% a 68% das mulheres na perimenopausa relatam sintomas depressivos elevados, contra 28% a 31% antes dessa fase2. Uma meta-análise de 2024 calculou risco cerca de 40% maior (OR 1,40) na perimenopausa; na pós-menopausa já estabelecida, o risco não ficou aumentado3. E o primeiro episódio de depressão chega a dobrar nessa fase, mesmo em mulheres sem histórico6.

Por que os hormônios mexem tanto com o humor?

Evidência publicada

O estradiol age como um “gerente” da serotonina: aumenta sua produção e reduz a enzima que a destrói. A progesterona, no cérebro, vira alopregnanolona — uma substância que age no mesmo receptor dos calmantes (GABA)7. Quando os dois oscilam e caem, faltam o bem-estar e o calmante natural: vêm ansiedade, irritação e insônia.

Antidepressivo resolve?

Evidência publicadaPrática do Dr. PabloEm debate

A diretriz de 2019 recomenda antidepressivos e psicoterapia como primeira linha, e reconhece que o estrogênio tem efeito antidepressivo em ensaios, embora sem indicação em bula para depressão2. Uma coorte de 920 mulheres mostrou melhora dos sintomas com estradiol transdérmico — mas sem grupo controle8.

O Dr. Pablo vê com frequência a mulher que recebeu antidepressivo sem ninguém investigar hormônios — e que, além de não melhorar, perdeu ainda mais a libido. Na prática dele, a reposição vem primeiro e o psiquiatra ajusta a medicação depois. Nunca suspenda o antidepressivo por conta própria.

Por que eu não durmo mais?

Prática do Dr. Pablo

A progesterona, produzida depois da ovulação, é a primeira a cair — e é ela que dá o “soninho”. O estradiol, por sua vez, sustenta a cadeia que leva à serotonina e à melatonina. Por isso a mulher que toma progesterona e continua sem dormir geralmente está com o estradiol baixo: corrige-se o estradiol, e a progesterona volta a funcionar.

A menopausa pode abalar o casamento?

Evidência publicada

Pode ser um catalisador. Nos EUA, a taxa de divórcio entre mulheres acima de 50 anos passou de 3,9 para 10,3 por mil entre 1990 e 20239, e cerca de 7 em cada 10 divórcios são iniciados por mulheres. A menopausa não causa isso sozinha, mas sono ruim, irritabilidade e libido baixa acendem o pavio de problemas antigos.

Pílula, SHBG e tireoide

Os suspeitos que ninguém investiga.

Anticoncepcional trata o climatério?

Prática do Dr. PabloEvidência publicada

A pílula organiza o sangramento, mas não repõe o que está faltando. O estrogênio por via oral aumenta o SHBG — a “prisão” dos hormônios —, o que diminui a fração livre de testosterona e estradiol e pode piorar libido e disposição10. Na prática do Dr. Pablo, muitas mulheres que usaram pílula por 20 anos chegam aos 40 com massa óssea mais baixa do que deveriam, e ele pede densitometria já na primeira consulta.

O que é SHBG e por que ele importa aqui?

Prática do Dr. Pablo

O SHBG é a proteína que prende estradiol e testosterona no sangue. Com SHBG alto, a mulher pode ter estradiol “ótimo” no laudo e sentir tudo, porque pouco hormônio está livre para agir. Para o Dr. Pablo, é o exame esquecido do climatério — e deixá-lo subir durante o tratamento é sinal de que algo está errado. Ele escreveu um livro inteiro sobre isso: A molécula esquecida.

A tireoide piora nessa fase?

Evidência publicadaPrática do Dr. Pablo

Pode. A tireoide tem receptores para hormônios sexuais, e o TSH tende a subir na perimenopausa. Hipotireoidismo subclínico se associa a depressão em pessoas com menos de 60 anos11. O Dr. Pablo prefere organizar os hormônios sexuais primeiro e só então reavaliar a tireoide — muitas vezes ela se ajusta junto.

Tratamento

A fase mais difícil de tratar — e a que mais responde.

Dr. Pablo Melo
“Aqui não é guideline. É guia individual.”Dr. Pablo Melo

Dá para tratar enquanto ainda menstruo?

Prática do Dr. Pablo

Sim. Para o Dr. Pablo, mulher com sintomas de perimenopausa tem que ser tratada, independentemente do FSH. É a fase mais desafiadora, porque os hormônios ainda flutuam — por isso o ajuste é fino e o acompanhamento, próximo.

Como costuma ser o tratamento?

Prática do Dr. PabloEm debate

É sempre individual, mas a lógica do Dr. Pablo segue alguns princípios:

  • Estradiol e testosterona em proporção feminina, preferencialmente por implante.
  • Progesterona micronizada por via oral, contínua, com foco no sono.
  • Gestrinona quando o SHBG está alto ou há endometriose ou mioma associados — uso considerado fora de bula.
  • Estriol local quando há infecção urinária de repetição ou secura vaginal.
  • Base metabólica: intestino, nutrientes, inflamação, sono e emagrecimento quando necessário.

O uso de testosterona e gestrinona em mulheres é fora de bula no Brasil e exige indicação clínica, consentimento e acompanhamento.

O tratamento hormonal serve de anticoncepcional?

Prática do Dr. Pablo

Não. No climatério, ainda é possível engravidar. Muitas pacientes deixam a pílula ao iniciar o tratamento e se sentem muito melhor — mas precisam de outro método contraceptivo, combinado com o médico.

Em quanto tempo eu volto a me sentir eu mesma?

Prática do Dr. Pablo

Muitas mulheres percebem melhora de sono e humor nas primeiras semanas. A referência passada pela equipe é de cerca de 30 dias, com um primeiro retorno depois de 45 dias. No climatério, o primeiro implante costuma ser trocado um pouco antes — em torno de cinco meses —, e a partir do segundo o ajuste fica mais preciso.

Quando devo procurar ajuda?

Prática do Dr. Pablo

Quando você perceber que não é mais a mesma — antes de acumular anos de sintomas, remédios para dormir e laudos “normais”. Quanto antes o climatério é reconhecido, mais simples é o caminho.

Referências

  1. Harlow SD et al. Executive summary of the Stages of Reproductive Aging Workshop + 10 (STRAW+10). 2012.
  2. Maki PM et al. Guidelines for the Evaluation and Treatment of Perimenopausal Depression (NAMS/NNDC). Journal of Women’s Health, 2019.
  3. Badawy Y et al. Risco de depressão nos estágios da menopausa: revisão sistemática e meta-análise. Journal of Affective Disorders, 2024. ScienceDirect
  4. Schmidt PJ et al. Retirada de estradiol e depressão perimenopáusica. JAMA Psychiatry, 2015;72:714-726.
  5. Gordon JL et al. Variabilidade do estradiol e sintomas de humor. Psychoneuroendocrinology, 2021;133:105418.
  6. Cohen LS et al. Risk for new onset of depression during the menopausal transition (Harvard Study of Moods and Cycles). Archives of General Psychiatry, 2006.
  7. Alopregnanolona como moduladora do receptor GABA-A. PMC7231988
  8. Glynne S et al. Estradiol transdérmico e sintomas de humor na perimenopausa — coorte retrospectiva. British Journal of Psychiatry, 2025.
  9. Pew Research Center, 2025 — dados de “gray divorce”; Rosenfeld M, American Sociological Association, 2015.
  10. Kuhl H. Pharmacology of estrogens and progestogens: influence of different routes of administration. Climacteric, 2005. PubMed 16112947
  11. Tang R et al. Subclinical hypothyroidism and depression. Translational Psychiatry, 2018.

Um convite

Você não está ficando louca. Está no climatério.

Se você se reconheceu aqui, o próximo passo é uma conversa. A equipe do Dr. Pablo faz a pré-avaliação pelo WhatsApp, envia a lista de exames e agenda sua consulta.

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Dr. Pablo Melo · CRM 29709-SC
  1. Você manda uma mensagemConta o que mudou, desde quando e como está seu ciclo.
  2. A equipe organiza a avaliaçãoQuestionário de sintomas, exames e agendamento.
  3. Consulta e plano individualHormônios, via e acompanhamento definidos para a sua fase.